Emília Queiroga é presidente do Instituto State of the World Forum – Brasil e Diretora da Campanha Global de Liderança Climática Brasil 2020. Especialista na perspectiva da conexão ciência-consciência e da percepção multidimensional da realidade, atua como conselheira e mentora de líderes e projetos especiais para os setores público, privado e sociedade civil não organizada, há 25 anos.
Confira a entrevista que ela concedeu a Assessoria de Imprensa do Conquista 2020:
Assessoria de Imprensa do Conquista 2020 – O State of the World Forum é um instituto de alcance global que estimula governos, nações, comunidades e pessoas a adotarem um novo e urgente modo de vida. Quais são os resultados desta luta tão ampla e tão difícil de ser implementada?
Emília Queiroga - Transição para um novo sistema de convivência baseado em estilo de vida sustentável e economia climática. Um sistema de convivência em harmonia com os sistemas naturais da terra onde seja possível prosperidade climática, gerando riquezas e trazendo qualidade de vida para todos.
Assessoria – A meta da campanha de liderança climática é reduzir as emissões de carbono em 80% até 2020 e estabelecer um renovado sistema de convivência. Como isso será feito? Dez anos serão suficientes?
EM - Será feita uma agenda baseada em quatro pilares: educação, modernização e comunicação, sinergia e consolidação de redes globais.
Dez anos é o prazo que nós temos para responder às questões climáticas. É o tempo que temos para evitar que os sistemas naturais (que estão em escala cada vez mais intensa) entrem em uma sinergia que saiam fora completamente do controle humano. Esse prazo é baseado em relatórios científicos de mais de 2.500 cientistas de 80 países envolvendo mit, Nasa e IPCC.
Assessoria – O Brasil é apontado como protagonista desta campanha de transformação. O país está preparado pra ser um líder mundial nas questões socioambientais? Qual, de fato, é o papel do governo na transição para uma economia sustentável?
EM – O Brasil tem muitos deveres de casa para cumprir mas também tem muitas qualidades que o classificam como um líder, entre elas: crise energética de 52% limpa, é o país que tem mais terra cultivada do mundo, tem também o maior recurso hidrelétrico de água potável, possui relações diplomáticas pacíficas com os países vizinhos, tem várias iniciativas na questão ambiental, estabeleceu um compromisso de 40% de redução de CO2 (Copenhague,Dinamarca) e tem compromisso com a redução de 80% do desmatamento até 2020. Apesar de ser um país afetado pela crise financeira global, ainda possui uma economia estável, por isso nós enxergamos que o Brasil pode ter uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
Quanto ao governo, ele tem que agir como facilitador e incentivador das novas polítivas verdes. O governo também pode ter compromisso com metas de financiamento de economia climática.
Assessoria – E Vitória da Conquista? Estando a cidade no topo de uma agenda fundamental, é aguardado que as lideranças locais tomem posturas de assumir uma prosperidade sustentável. Qual seria o impacto da adoção destas medidas para a região?
EM – Vitória da conquista é um polo de serviços que abrange 80 municípios e, respectivamente, dois milhões de pessoas. Qualquer região no mundo também tem seus desafios climáticos mas no caso de vitória da conquista, um desses impacto é o fato da escassez de água potável em 12 anos para a região. Com a geração de prosperidade climática, a região ganhará formação de talentos verdes, novos mercados e consequentemente boas oportunidades de empregos.
Assessoria – Como prosperidade econômica e desenvolvimento poderão andar ao lado da preservação ambiental?
EM – Isso é uma contradição que não existe. Antigamente as pessoas achavam que isso ocorria de forma paralela. Ao lidar de forma decisiva e estratégica com as questões climáticas, vamos desenvolver questões de desenvolvimento econômico e financeiro porque a crise econômica no mundo não é crise no sistema… E sim é uma crise do sistema que não é sustentável por si. O novo modelo de arquitetura financeira e de economia é que vai possibilitar resolver os problemas da crise financeira que nos encontramos.
Assessoria – A mudança de hábitos pessoais também é ponto focal desta campanha. Como as pessoas podem/devem ser educadas para a construção de uma sociedade sustentável?
EM – Todas as pessoas precisam se educar dentro da nova visão e se adaptarem a um novo estilo de vida. Todos nós fomos educados para o consumo, mas é preciso estar consciente que os hábitos de consumo geram impacto nas vidas do planeta. 80% do que compramos torna-se lixo em menos de dois meses. Ou seja, toda causa tem efeito, por isso é preciso se adaptar ao processo de sustentabilidade (consumo consciente).
Assessoria – Qualquer pessoa pode levantar esta bandeira e ser um líder climático?
EM – Qualquer pessoa. Precisamos que todos sejam um líder climático. Por isso a campanha promove a liderança desde o cidadão comum, que pode escolher o que vai consumir, até os grandes líderes mundiais que têm o poder nas mãos e decidem por milhares de pessoas.
Entrevista: Cássia Dias