Uma das grandes discussões da conferência “Conquista 2020”, realizada nos dias 28 e 29 de abril em Vitória da Conquista, foi a sustentabilidade. Esse termo significa sobreviver, crescendo e se desenvolvendo, sem agredir o meio ambiente. Nisso a conferência não só foi espaço de discussão, mas de construção e exemplo.
A maioria dos recursos utilizados no “Conquista 2020” foi feita com a preocupação de que o evento fosse sustentável. “Nós procuramos na cidade o que havia de alternativa para demonstrar na prática como é possível ser sustentável, não agredir o meio ambiente e, ao mesmo tempo, ter todos os recursos necessários para a realização do evento”, conta o vice-prefeito e um dos organizadores do evento, Ricardo Marques. Pastas, crachás, cartazes, folders foram todos feitos com papel reciclado. Até o cordão que sustentava o crachá dos participantes era feito de material biodegradável. Além disso, as camisetas utilizadas pela equipe de organização do evento foram confeccionadas com tecido que tem como base o plástico de garrafas pet.
No espaço físico do evento, mais possibilidades sustentáveis. Pufs, cadeiras e objetos diversos feitos de papelão e material reaproveitado. O próprio coquetel servido aos participantes teve essa característica: foram utilizados produtos regionais e frutas, sempre com a preocupação de não oferecer produtos com embalagens ou matérias-primas que tenham em seu processo de produção uma agressão ao meio ambiente.
Feirinha
No espaço externo do Centro de Cultura, uma feirinha expôs as iniciativas locais voltadas para uma mudança de perspectiva do consumo. O Grupo de Economia Popular (GEP) da cidade marcou presença com o artesanato sustentável. “Nós viemos divulgar os produtos da entidade, todos baseados na ecologia e na reciclagem, onde utilizamos sementes, papelão, CDs. Os associados produzem, com o apoio do GEP, comercializam e ficam com o lucro”, explica o presidente do GEP, Arnaldo Ramos.
A artesão Patrícia Valéria é uma das associadas e apresentou no evento o que produz a partir do reaproveitamento de materiais diversos. “Comecei fazendo pinturas em garrafas de vidro, reaproveitando o que eu mesma consumia em casa. Depois passei a fazer a reciclagem de CDs, que ‘emplacou’ mesmo. Com os CDs, que não tem mais utilidade, faço bolsas, lustres, bases para colares e brincos. É uma paixão que eu tenho. Abandonei o emprego para me dedicar ao artesanato, pois é algo que eu amo. O reaproveitamento passou a ser um estilo de vida pra mim”, conta.
Texto: Cássia Dias